quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Desarrumação

Entra e desconserta,

Destrói toda forma e todo pensamento caricato

Erradica toda fórmula pronta e extingue o caminho já traçado

Manifesta o obscuro e constrói uma estrada nova

Transforma o velho vício em coragem de fechar a porta

E a expressão de certeza em um riso inseguro

Procura tocar onde mora a ferida

E não descanse até a cicatriz desabrochar

Arranca-me da zona de conforto

Venda-me meus olhos dessas paredes brancas e dóceis

Desses quadros de cores alegres que já não me dizem nada

Desse sentimento mórbido e tão inofensivo de conformismo

Mas por favor...

Não mude, não se mova, continue nessa estrada

Continue nesse lugar seguro, sua casa

Siga questionando me fazendo sentir dor

Fazendo-me feliz

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bem vindo

Velocidade máxima, cabelos ao vento

Desilusão e sonho trancados no retrovisor

A cidade beija meus anseios

Vejo coragem refletida na janela dos prédios

A Linha divisória me reparte em duas vidas distintas.

Bem-vindo

Aonde começa a escala dos sonhos

E o coração se prepara para se partir outra vez

Aonde o ar é mais pesado que o medo

E as cores são mais vivas que a alma.

Pés cansados em sapatos de cinderela

Olhos marejados em óculos de Sol

Você esqueceu que o encanto se acaba a meia-noite?

Mas agora é só essa noite

O Castelo espera a Rainha, a taça te chama para um brinde

E as luzes ocultam a verdade...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Gabriela

Doce moça
De lábios tão lindos e palavras tão sábias
De olhos ofuscantes aonde encontro meu destino
O teu abraço é o meu refúgio
Seu rosto o meu pôr-do-sol
Aonde avisto a plena certeza de um alvorecer sereno
E de uma felicidade intensa
Seu amor é presente em cada ato do meu dia
Sinto-me abençoado
Alcançado
Enlaçado
Pelo doce destino de te pertencer
Pela infinda força que vem do teu peito
Que sem sequer uma palavra
Revela-se como mapa por onde baseio meus passos
Me leve para a origem do teu sorriso
Aonde eu possa ver que beleza se oriunda esse tão belo espelho
Permita-me estar pra sempre perto de ti
Para refletir ao mundo o brilho de tão celeste Estrela
Pois nenhuma tela
Por mais singela
Por imensamente bela
Não revela teu ser, e nem a sua rara aquarela
Meu amor mora no seus olhos, e meu destino só tem um nome
GABRIELA

domingo, 29 de novembro de 2009

Marcas

Chego a ter saudade dos infindos dias de solidão
Invoco os dias frios da minha memória
Cortejo as noites densas de pura e agonizante tristeza
Não deixo escapar da minha lembrança os dias passivos e vazios da minha existência
Carrego as marcas da desestimulante espera
Não retiro o foco do meu passado e da total ausência de festejos
Para que a presente alegria não esteja nunca carente de cuidados
E a felicidade seja venerada e regada à pura e sagrada devoção
Em dias de rude tempestade minha alma encontre nos dias de outrora a força que me deu as marcas que carrego
Estarei atento para que um efêmero momento não me roube o gozo da normalidade contemporânea
Aproveito a paz conquistada sem me deixar levar pelo insistente desleixo
Carrego os versos dos dias tristes pra que na alegria não me falte a poesia
Carrego o fardo das noites solitárias para que na vida não me falte o amor


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Destino

Tempo passa...
E as correntes me trazem de volta
O vento atrapalha e repara o esforço da fuga
Deparo-me com o Mar mais bravio do que outrora
Me vejo mais indefeso e a mercê do poder das ondas
Mergulho no ímpeto de poder não mais submergir
Mas a beleza do fundo ainda me lembra a falta do ar
O sol me aparece em meio a minha prece por logo chegar
Encontro as águas ainda turvas e vorazes
Mas me sinto de novo em casa
O medo se esvai e se torna coragem e força de pensar
Reflito um jeito de eu tão pequeno lutar contra a fúria do mar
A razão relata a impossibilidade de êxito do meu intento
Mas o sonho bem mais que concreto me faz por inteiro eu me arriscar
Se o mar tem que seguir seu fluxo
O meu destino é contra ele lutar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Flor


Lá se vai a flor
Que um dia desejei pra mim
Pensando ser um amor sem fim
Mas veio o tal do vento
E eu meio desatento
Segui no passo lento
E o vento me levou
E eu aqui na espera de te encontrar
Levar você de volta ao lar
Te ver desabrochar outra vez

Me ensina a ter bem mais cuidado
Seguir bem mais focado
Mostrar como te quero bem
Me inclina a olhar tua beleza
Mostra-me a sua destreza
Em fazer-me te venerar
Assim
Seguro-te bem forte
Sem mais contar com a sorte
E de novo vindo o vento
Conhecendo seu intento
Me seguro nos seus olhos...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Diário de um Máscarado


Resido em meu interior
Tão profundo e escondido
Tão maquiado e sem pistas
Refugio-me no engano
Me alimento dos insultos de meus admiradores
Renovo-me em um comentário de um novo desafeto
Exponho a segurança de decisões erradas
Celebro o desdenho em meu olhar superior
Prefiro ficar só do que um segundo de fraqueza
Plantei mágoas, colho olhares de uma platéia estupefata
Rio de valores óbvios, procuro o palco em frases fabricadas
Retiro-me do foco para o vazio do espelho
Reluto contra o remorso
Me faço inatingível com a alma ferida em oculto