quinta-feira, 24 de março de 2011

Há Romance Ali...


Hei preste atenção,

Olha a forma de olhar lançado na direção dela,

Observa como seu corpo corresponde ao mesmo compasso,

Veja seus passos indecisos e os seus olhos em órbita.

Ouve sua nova música preferida,

E o sorriso voluntário ao cantarolar seu refrão,

Seu grande esforço ao tentar folhear seu melhor livro.

Olha ela...

Desenhando mil figuras no espelho,

Vestindo para si sua melhor roupa,

Caminhando em círculos com seus antigos passos de balé.

Será essa noite que esperaram há tanto tempo?

Será que é a próxima dança que irá embalar seus corações?

Será que o próximo gesto será definitivo?

Ele e seu velho medo de parecer tolo,

Ela e seu novo medo de se entregar logo,

O destino em sua velha mania de se omitir.

Mas não precisa ter um grande senso analítico

Pra perceber que ali existe Romance

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vazio

Nenhuma descrição compatível, nenhum brilho nos olhos, nenhuma alegria, nenhuma lágrima, olhos abertos sustentam o peso do vazio, sente a ferida profunda e a total ausência de dor.

Deseja estar perto da morte pra que possa provar a vida, se esforça na criação de medos entrega-se ao tentar assistir sua alma estremecer, reza e implora pra que Deus a castigue, e em seu perfeito empenho mergulha ainda mais na imensidão do nada e se prolonga insuportavelmente em seu ouvido o som do silêncio.

Vasculha sua mente em busca de um só pensamento de aprovação e encontra somente o eco dos seus gritos.

Exterioriza seu gemido e contempla milhares de pessoas e abraça milhares de palavras agarra-se a milhares de sorrisos.

E sente um enorme imensurável e grandioso

...Vazio

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Desarrumação

Entra e desconserta,

Destrói toda forma e todo pensamento caricato

Erradica toda fórmula pronta e extingue o caminho já traçado

Manifesta o obscuro e constrói uma estrada nova

Transforma o velho vício em coragem de fechar a porta

E a expressão de certeza em um riso inseguro

Procura tocar onde mora a ferida

E não descanse até a cicatriz desabrochar

Arranca-me da zona de conforto

Venda-me meus olhos dessas paredes brancas e dóceis

Desses quadros de cores alegres que já não me dizem nada

Desse sentimento mórbido e tão inofensivo de conformismo

Mas por favor...

Não mude, não se mova, continue nessa estrada

Continue nesse lugar seguro, sua casa

Siga questionando me fazendo sentir dor

Fazendo-me feliz

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bem vindo

Velocidade máxima, cabelos ao vento

Desilusão e sonho trancados no retrovisor

A cidade beija meus anseios

Vejo coragem refletida na janela dos prédios

A Linha divisória me reparte em duas vidas distintas.

Bem-vindo

Aonde começa a escala dos sonhos

E o coração se prepara para se partir outra vez

Aonde o ar é mais pesado que o medo

E as cores são mais vivas que a alma.

Pés cansados em sapatos de cinderela

Olhos marejados em óculos de Sol

Você esqueceu que o encanto se acaba a meia-noite?

Mas agora é só essa noite

O Castelo espera a Rainha, a taça te chama para um brinde

E as luzes ocultam a verdade...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Gabriela

Doce moça
De lábios tão lindos e palavras tão sábias
De olhos ofuscantes aonde encontro meu destino
O teu abraço é o meu refúgio
Seu rosto o meu pôr-do-sol
Aonde avisto a plena certeza de um alvorecer sereno
E de uma felicidade intensa
Seu amor é presente em cada ato do meu dia
Sinto-me abençoado
Alcançado
Enlaçado
Pelo doce destino de te pertencer
Pela infinda força que vem do teu peito
Que sem sequer uma palavra
Revela-se como mapa por onde baseio meus passos
Me leve para a origem do teu sorriso
Aonde eu possa ver que beleza se oriunda esse tão belo espelho
Permita-me estar pra sempre perto de ti
Para refletir ao mundo o brilho de tão celeste Estrela
Pois nenhuma tela
Por mais singela
Por imensamente bela
Não revela teu ser, e nem a sua rara aquarela
Meu amor mora no seus olhos, e meu destino só tem um nome
GABRIELA

domingo, 29 de novembro de 2009

Marcas

Chego a ter saudade dos infindos dias de solidão
Invoco os dias frios da minha memória
Cortejo as noites densas de pura e agonizante tristeza
Não deixo escapar da minha lembrança os dias passivos e vazios da minha existência
Carrego as marcas da desestimulante espera
Não retiro o foco do meu passado e da total ausência de festejos
Para que a presente alegria não esteja nunca carente de cuidados
E a felicidade seja venerada e regada à pura e sagrada devoção
Em dias de rude tempestade minha alma encontre nos dias de outrora a força que me deu as marcas que carrego
Estarei atento para que um efêmero momento não me roube o gozo da normalidade contemporânea
Aproveito a paz conquistada sem me deixar levar pelo insistente desleixo
Carrego os versos dos dias tristes pra que na alegria não me falte a poesia
Carrego o fardo das noites solitárias para que na vida não me falte o amor