domingo, 29 de novembro de 2009

Marcas

Chego a ter saudade dos infindos dias de solidão
Invoco os dias frios da minha memória
Cortejo as noites densas de pura e agonizante tristeza
Não deixo escapar da minha lembrança os dias passivos e vazios da minha existência
Carrego as marcas da desestimulante espera
Não retiro o foco do meu passado e da total ausência de festejos
Para que a presente alegria não esteja nunca carente de cuidados
E a felicidade seja venerada e regada à pura e sagrada devoção
Em dias de rude tempestade minha alma encontre nos dias de outrora a força que me deu as marcas que carrego
Estarei atento para que um efêmero momento não me roube o gozo da normalidade contemporânea
Aproveito a paz conquistada sem me deixar levar pelo insistente desleixo
Carrego os versos dos dias tristes pra que na alegria não me falte a poesia
Carrego o fardo das noites solitárias para que na vida não me falte o amor


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Destino

Tempo passa...
E as correntes me trazem de volta
O vento atrapalha e repara o esforço da fuga
Deparo-me com o Mar mais bravio do que outrora
Me vejo mais indefeso e a mercê do poder das ondas
Mergulho no ímpeto de poder não mais submergir
Mas a beleza do fundo ainda me lembra a falta do ar
O sol me aparece em meio a minha prece por logo chegar
Encontro as águas ainda turvas e vorazes
Mas me sinto de novo em casa
O medo se esvai e se torna coragem e força de pensar
Reflito um jeito de eu tão pequeno lutar contra a fúria do mar
A razão relata a impossibilidade de êxito do meu intento
Mas o sonho bem mais que concreto me faz por inteiro eu me arriscar
Se o mar tem que seguir seu fluxo
O meu destino é contra ele lutar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Flor


Lá se vai a flor
Que um dia desejei pra mim
Pensando ser um amor sem fim
Mas veio o tal do vento
E eu meio desatento
Segui no passo lento
E o vento me levou
E eu aqui na espera de te encontrar
Levar você de volta ao lar
Te ver desabrochar outra vez

Me ensina a ter bem mais cuidado
Seguir bem mais focado
Mostrar como te quero bem
Me inclina a olhar tua beleza
Mostra-me a sua destreza
Em fazer-me te venerar
Assim
Seguro-te bem forte
Sem mais contar com a sorte
E de novo vindo o vento
Conhecendo seu intento
Me seguro nos seus olhos...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Diário de um Máscarado


Resido em meu interior
Tão profundo e escondido
Tão maquiado e sem pistas
Refugio-me no engano
Me alimento dos insultos de meus admiradores
Renovo-me em um comentário de um novo desafeto
Exponho a segurança de decisões erradas
Celebro o desdenho em meu olhar superior
Prefiro ficar só do que um segundo de fraqueza
Plantei mágoas, colho olhares de uma platéia estupefata
Rio de valores óbvios, procuro o palco em frases fabricadas
Retiro-me do foco para o vazio do espelho
Reluto contra o remorso
Me faço inatingível com a alma ferida em oculto

terça-feira, 14 de julho de 2009

Deixa Passar...


Deixa correr demais
O apressado dia chega até o sol me iluminar
Simples é viver
A espera de um dia que passou
Deixa que o vento leva, e move o moinho do tempo
Na véspera do alento a liberdade se escondeu
Deleito-me na voz mais doce
Na esperança de ouvir palavras belas
Duvido de meus intentos
Confirmo meu desassossego na falta de tempestade
Na prévia do incerto vivo uma plena bonança
O convívio com a fraqueza na verdade me fez forte
O cuidado com a ferida não fez dela cicatriz
Se me arrisco é por ter vida
O Seguro morreu de solidão

sábado, 20 de junho de 2009

Existência


Sinceras proezas se expandem
Capricho rasgado de máscara
Na névoa as verdades se escondem
No sol o visível é uma sátira

No ventre o estranho é normalidade
O nascer é uma imensa cobrança
A atmosfera nos cria uma identidade
A independência morre na lembrança

No sacro se disfarça a fraqueza
No santo se dissolve a coragem
Por dentro mora uma certeza
O sagrado está só de passagem

Na estrada eu corrijo meu passo
Nos abraços eu encontro meu guia
O amor rege todo meu compasso
No silencio eu encontro alegria

terça-feira, 9 de junho de 2009

Se...


Se eu tivesse um amor...
Minha prioridade seria mudada
Meu plano perfeito seria rasgado
Minha imagem seria apagada
O meu bem-estar seria meu bem querer
Meu riso sozinho não seria completo
O meu tudo não seria mais meu

Se eu tivesse seu amor...
Meus dias seriam mais bravios
A minha música seria ouvida
A minha verdade uma doce ilusão
O meu coração a sua casa de campo
Seria aplausível a minha tristeza
Seria menos amarga a minha solidão

Se eu não sentisse esse amor...
Minhas tardes seriam mais brandas
Minhas noites seriam mais curtas
Meu viver seria mais fútil
Minha loucura seria mais sã
O respirar perderia o sentido
Seria mas um com os pés no chão