domingo, 1 de setembro de 2013

Arte


É ouvir, digerir procurar um ponto comum,
É dar voz a quem costuma falar baixinho
pois no mínimo ruído se toca na textura da paz,
e aí qualquer dialeto se compreende
qualquer voz se assemelha a sua, a minha.
Estamos juntos nessa,
A bailarina  movimenta seus dedos no velho Banjo,
O poeta e suas notas distorcidas,
O Pintor inventando novos riffs de pincel
ao perceber uma flor no seu caminho diário.
A moça transforma sua angústia em hino
e traduz oque a alma dita em voz,
E o meu palco é aonde eu piso, sinto, vejo...
aonde eu sou protagonista e figurante,
Platéia e um grande Astro,
Artista ou a própria Arte.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ballet do Vento




E ela vai bailando dançando com a graça envolta de uma singela delicadeza solta um leve murmúrio ao ver a luz invadir a sala,
se entrega a toa bebendo cada instante do seu mundo imaginário
fazendo força pra agonia concreta não roube um segundo do seu voo,
Respira suavemente com pressa para que o tempo não passe,
Abre a Janela convidando o vento pra uma ligeira prosa, mas junto com ele urge o Barulho do agora e imediatamente seu olhar se desvia para o relógio e se esbarra no calendário, ela fecha a janela porém não existe mais silêncio e o segundo que se alongava agora está em falta.
Os pés que dançavam agora correm,e oque mais importa agora é desnecessário, e a sutileza agora é urgência, e a vida que brotava em cada sútil movimento passa a ser Passageira de uma viagem sem volta e sem graça.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Há Romance Ali...


Hei preste atenção,

Olha a forma de olhar lançado na direção dela,

Observa como seu corpo corresponde ao mesmo compasso,

Veja seus passos indecisos e os seus olhos em órbita.

Ouve sua nova música preferida,

E o sorriso voluntário ao cantarolar seu refrão,

Seu grande esforço ao tentar folhear seu melhor livro.

Olha ela...

Desenhando mil figuras no espelho,

Vestindo para si sua melhor roupa,

Caminhando em círculos com seus antigos passos de balé.

Será essa noite que esperaram há tanto tempo?

Será que é a próxima dança que irá embalar seus corações?

Será que o próximo gesto será definitivo?

Ele e seu velho medo de parecer tolo,

Ela e seu novo medo de se entregar logo,

O destino em sua velha mania de se omitir.

Mas não precisa ter um grande senso analítico

Pra perceber que ali existe Romance

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vazio

Nenhuma descrição compatível, nenhum brilho nos olhos, nenhuma alegria, nenhuma lágrima, olhos abertos sustentam o peso do vazio, sente a ferida profunda e a total ausência de dor.

Deseja estar perto da morte pra que possa provar a vida, se esforça na criação de medos entrega-se ao tentar assistir sua alma estremecer, reza e implora pra que Deus a castigue, e em seu perfeito empenho mergulha ainda mais na imensidão do nada e se prolonga insuportavelmente em seu ouvido o som do silêncio.

Vasculha sua mente em busca de um só pensamento de aprovação e encontra somente o eco dos seus gritos.

Exterioriza seu gemido e contempla milhares de pessoas e abraça milhares de palavras agarra-se a milhares de sorrisos.

E sente um enorme imensurável e grandioso

...Vazio

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Desarrumação

Entra e desconserta,

Destrói toda forma e todo pensamento caricato

Erradica toda fórmula pronta e extingue o caminho já traçado

Manifesta o obscuro e constrói uma estrada nova

Transforma o velho vício em coragem de fechar a porta

E a expressão de certeza em um riso inseguro

Procura tocar onde mora a ferida

E não descanse até a cicatriz desabrochar

Arranca-me da zona de conforto

Venda-me meus olhos dessas paredes brancas e dóceis

Desses quadros de cores alegres que já não me dizem nada

Desse sentimento mórbido e tão inofensivo de conformismo

Mas por favor...

Não mude, não se mova, continue nessa estrada

Continue nesse lugar seguro, sua casa

Siga questionando me fazendo sentir dor

Fazendo-me feliz

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bem vindo

Velocidade máxima, cabelos ao vento

Desilusão e sonho trancados no retrovisor

A cidade beija meus anseios

Vejo coragem refletida na janela dos prédios

A Linha divisória me reparte em duas vidas distintas.

Bem-vindo

Aonde começa a escala dos sonhos

E o coração se prepara para se partir outra vez

Aonde o ar é mais pesado que o medo

E as cores são mais vivas que a alma.

Pés cansados em sapatos de cinderela

Olhos marejados em óculos de Sol

Você esqueceu que o encanto se acaba a meia-noite?

Mas agora é só essa noite

O Castelo espera a Rainha, a taça te chama para um brinde

E as luzes ocultam a verdade...